At the end of the day, it’s all about her

25 nov 2010 In: Sem categoria

Eu, com a minha sincera esperança tipicamente infantil, me perguntava quando seria a minha vez.

Mas a sorte, essa filha ingrata do destino, resolveu não mudar de opinião. Se limitou a me olhar com tom de deboche e dizer:

__ Mas que menina BURRA! - e começou a rir - Ainda não aprendeu que não é você que vale o dia? Lindinha, tudo que eu te reservo é uma dose diária da dor do fim.

Fim

1 nov 2010 In: Sem categoria

Toda a plenitude da doçura

toda a complexidade da loucura

acabaram com um só tiro na cabeça.

19 out 2010 In: Sem categoria

Há coisas que eu nasci para.

E há outras que eu simplesmente nasci para não.

Toca-fitas

28 set 2010 In: Sem categoria

Eu me lembro da época em que o som do nosso carro era um toca-fitas meio capenga, e ficava sempre sintonizado em uma rádio popular que hoje eu não teria coragem de ouvir nem por amor.

A música servia para ocupar o espaço entre as bocas fechadas e a nossa falta de afinidades e empatia.

Estação

24 set 2010 In: Sem categoria

E se esse trem descarrilhasse, pensei.

De certo ele ficaria sabendo da minha morte. Esse tipo de informação emerge de escombros, vai de ouvido em ouvido, de boca em boca, passa pelo velório incorformado, no desespero dos parentes desconsolados, escorrega das mãos dos amigos íntimos, aparece nos e-mails de colegas de trabalho, vira rumor de pessoas distantes e sempre pára numa mesa de bar.

Mas a notícia chegaria com um certo atraso. Uns quarenta minutos depois da hora combinada ele chegaria a conclusão que realmente havia levado um fora. Ficaria furioso com a minha falta de consideração. Essa pilantra que não se deu o trabalho de dizer uma desculpa esfarrapada e nem atende a porra do celular! Se arrependeria de ter feito a barba, e também por não ter considerado o convite da Belina, a morena das aulas de laboratório. Tá certo que essa não lhe encantava como a aquela cretina que não apareceu, mas vinha se empenhando em trazer os relatórios prontos, e nas últimas semanas fazia convites descaradamente desesperados. Será que ainda dá tempo de ligar para Belina?

Um dia ou dois depois alguém contaria do desastre e então surgiria o típico buraco no estômago. Apesar de ninguém saber o que ele pensou a meu respeito, teria vergonha a ponto de querer sumir. Contaria a alguns poucos amigos que diriam sentir muito, mas na verdade se sentiriam bastante aliviados de não ser nenhum deles a quem o azar bateu na porta, e ainda ter vida atrás dos telefones pros quais eles ligam quando bate uma vontade de colo.

Algumas semanas de vazio no peito, uma série de perguntas sobre o sentido da vida. Aquela vontade louca de fazer e amar tudo que a gente sempre deixa pra amanhã. Daí a rotina ia voltar pro palco, sob a luz do holofote.

E seria tudo e só isso.

Ele não teria que passar um mês fora de casa sem poder olhar pro sofá, lembrando dos domingos que passei alí esparramada dentro de roupas nada sensuais. Nem teria que aumentar o trajeto pra casa em 3 quarteirões só não ver na vitrine um vestido que ficaria tão bem em mim. Se polparia de assistir os amigos que cumprimentam com tom de piedade, como se isso pudesse trazer algum consolo. Coitadinho, tão abatido, mas ele é jovem e há de encontrar outra que o realize.

Até porque ele ainda nem sabe que não tenho uma cor favorita, ou que prefiro meu café gelado. Que sou feliz com coisas simples como pijamas limpos e piadas de mal gosto. Nem que ansio por vê-lo.

Saltei na estação sã e salva.

Tomara que a Belina não seja tão bonita assim.

23

19 set 2010 In: Sem categoria

Ainda que eu tenha andado sozinha e sem rumo pelo vale das sombras e da morte, encontrei o caminho dos verdes pastos, o antigo inacreditado reino das águas tranquilas.

E peço, ó Deus, não deixe novamente que o mal sinta meu cheiro, me veja ou estenda a sua mão. E assim, por mais nada hei de temer.

Amém.

Loucura

28 jun 2010 In: Sem categoria

Era como se estivéssemos ligados não pelo amor, pela paixão, pela posse ou até pela dependência financeira. Nosso elo era a pura loucura.

Se fosse a minha, tudo bem, estava acostumada ao meu mundo imaginário distorcido.

Mas do outro mundo insano quando entrei eu nada conhecia. E mesmo depois de anos frequentando os becos sujos de sua insensatez, pouco aprendi.

A falta de lógica, de coerência e de verdade fizeram daquele passeio psicodélico um pesadelo colorido.

E quando passei a não suportar mais desafiar tanto as leis do bom senso, soube que havia comprado passagem de ida pra um lugar sem caminho de volta.

Vontade

2 jun 2010 In: Sem categoria

__ E quando foi que você começou a mentir?
__ Foi na época que a vontade sumiu.
__ Ela sumiu de repente?
__ Não, não. Foi aos poucos. Daquelas mortes lentas, dolorosas e graduais. Primeiro  foi a vontade da cor, depois a vontade da forma. Um dia percebi tinha perdido a vontade do sabor, do cheiro e do som. Quase no fim perdi então a vontade de estar, e quando achei que nada podia ficar mais estranho, daí foi a vontade de ser.
__ Nossa… Acha que ela se foi pa sempre?
__ Acho que não. Suponho que só esteja guardada.
__ E o que te faz então sentir viva, menina?
__ Ah, me sinto viva quando eu

Importância

14 mai 2010 In: Sem categoria

De que me adianta então saber seus nomes, se eles não sabem o meu?

Embora ainda estivesse de roupas, me sentia como se estivesse completamente nua.

No canto esquerdo da cama, sapatos, camisa e uma carteira com fotos de crianças. O quarto era grande, e o mundo lá fora parecia tão pequeno.

Eu olhei para ele e disse:
__ Essa vai ser a última vez.
Ele respondeu:
__ A outra também era, e eu tenho o final de semana inteiro.

Era sábado de manhã e a minha aula de inglês já estava no intervalo. Hi, how are you?

Sobre o blog

Houve um tempo em que eu era um só.

Mas aí aconteceu. Não consigo datar quando (ou quem). E desde então me encontro em duas metades irreconciliáveis.