Dos dias não tão bons.
_ Acho que você deveria parar de olhar pra ela assim.
_ Oi?
_ É, sabe? Você poderia fazer um esforço e ser gentil.
_ Cara, de que porra você tá falando?
_ Dela.
_ Dela quem?
_ Dela (ergue o queixo na direção da mulher de vestido).
_ Dela!?
_ É. Dela.
_ Você tá brincando comigo, né? Eu vou levar esse comentário ridículo como uma piada e esquecer que isso aconteceu. Ok?
_ Mas o que tem de errado? Pode ser uma boa idéia.
_ Boa idéia o meu rabo. Eu simplesmente não acredito que você está dizendo isso pra mim!
_ Cara, você não acha que está sendo ridícula demais? Infatil demais? Não acha que tá na hora de crescer e encarar que isso não tem nada a ver?
_ Ah, então não tem nada a ver? É tudo uma encenação infantil?
_ Lógico que é, porra! Eles praticamente não tem mais nada, estão juntos por causa das crianças, e você fica com essa cara emburrada. Você sabe que é de você que ele gosta, mas causa esse climão ridículo e sem fundamento.
_ Olha, você não é meu amigo e não tem o direito de falar assim de mim.
_ Mas eu sou amigo dele e acho completamente injusto com eles que…
_ ACHA INJUSTO O QUE, INFERNO? (algumas cabeças se viram em direção a eles, enquanto outras, claramente constrangidas, tentam fingir que nada acontece)
_ Que você aja assim, porque…
_ Porque mais nada! Chega! Agora a errada sou eu!? Olha, pode ser infantil? Pode! Pode ser imaturo? Pode!Mas foda-se. É o que eu sinto. Eu sou mulher, sabe? E eu queria ser especial, sabe? Se alguém aqui não tem nada, esse alguém sou eu. Quando ele me deixa no metrô, é pra casa dela que ele volta. E quem dorme sozinha é a biscate aqui! Enquanto estou em casa esperando as horas passarem pra entrar na merda do carro dele, é com ela e os filhos que ele está. É com eles que ele mora. Eles são a família dele, não eu. É pra mãe dela que ele conta piadas. É pras tias dela que ele faz força pra não rir das roupas ridículas. É pro pai dela que ele finge que gosta de futebol. Ela é a melhor amiga dele. Ela esteve nos momentos ruins. Ela sabe de todos os detalhes e todos os segredos. Ela dá os melhores presentes e os melhores momentos. E eu? Sabe com que eu fico? Eu fico com a cama.
Houve um tempo em que eu era um só.
Mas aí aconteceu. Não consigo datar quando (ou quem). E desde então me encontro em duas metades irreconciliáveis.
Rul
setembro 24th, 2009 at 23:34
Será que isso é real? Esse diálogo!