Dos dias não tão bons.
Eu me lembro da época em que o som do nosso carro era um toca-fitas meio capenga, e ficava sempre sintonizado em uma rádio popular que hoje eu não teria coragem de ouvir nem por amor.
A música servia para ocupar o espaço entre as bocas fechadas e a nossa falta de afinidades e empatia.
Houve um tempo em que eu era um só.
Mas aí aconteceu. Não consigo datar quando (ou quem). E desde então me encontro em duas metades irreconciliáveis.
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